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AC I, AC II ou AC III: a diferença e qual argamassa colante usar (inclusive para porcelanato)

6 min de leitura

A peça que descolou: cola errada não segura o chão.
A peça que descolou: cola errada não segura o chão.

Guia técnico, ancorado na NBR 14081, para entender a diferença entre AC1, AC2 e AC3 (AC I, AC II e AC III) e escolher a argamassa colante certa em cada obra — inclusive qual usar para porcelanato. Traz as três perguntas de decisão, o sufixo E da norma, as características complementares (escorregamento, deformabilidade, pedras naturais) e a linha Tilecol: Cola 1, Cola 4, Cola 6 Plus, Super Cola 12 e Cola 7 Pro 3.

▶ A técnica em vídeoA técnica certa: a cola penteada num sentido só, riscos cheios e parelhos.

Escolher a argamassa colante errada é o erro mais caro — e mais comum — do canteiro. A argamassa custa uma fração mínima do revestimento e da mão de obra, mas quando a classe não combina com a peça e o ambiente, o resultado é som cavo, empolamento, infiltração e descolamento. Este guia, ancorado na NBR 14081, explica a diferença entre AC1, AC2 e AC3 (AC I, AC II e AC III), mostra como decidir em três perguntas — inclusive qual argamassa usar para porcelanato — e indica o produto Tilecol certo para cada caso.

O que significam AC I, AC II e AC III (e o que a NBR 14081 exige)

A NBR 14081 — cuja parte de requisitos é a NBR 14081-1 — rege a argamassa colante industrializada. "AC" significa Argamassa Colante, e o número indica nível crescente de aderência e desempenho:

  • AC I — aderência à tração mínima de 0,5 MPa e tempo em aberto de pelo menos 15 min. Uso interno.
  • AC II — aderência mínima de 0,5 MPa, mantida também após envelhecimento por calor (cura em estufa), com tempo em aberto de pelo menos 20 min. Interno e externo, condições intermediárias.
  • AC III — aderência mínima de 1,0 MPa (o dobro das demais), em todas as condições de cura, com tempo em aberto de pelo menos 20 min. Alto desempenho: porcelanato, grandes esforços e exposição severa.

Esses valores são os próprios limites da norma. Os números de cada produto (aderência real, rendimento, tempos de cura) estão no boletim técnico. Lembre também que o assentamento em si segue outras normas: NBR 13753 (pisos internos), NBR 13754 (paredes internas) e NBR 13755 (paredes externas e fachadas).

O jeito certo × o jeito errado
O jeito certo × o jeito errado — o que muda na obra.

A diferença entre AC1, AC2 e AC3 em três perguntas

Três variáveis definem a classe: absorção de água da placa, ambiente/exposição e formato/peso da peça.

  1. A placa absorve pouca água? Cerâmica comum e azulejo têm absorção mais alta e criam aderência mecânica (a argamassa ancora nos poros). O porcelanato — grupo BIa pela NBR ISO 13006, com absorção ≤ 0,5% — praticamente não absorve e depende de adesão química, por isso pede classe superior.
  2. Onde vai ser aplicada? Interno e seco é uma coisa; externo, área molhada, sol/chuva/vento e variação térmica são outra. Nunca use AC I em área externa.
  3. Qual o formato e o peso? Grandes formatos, peças retificadas, fachada, piso sobre piso e placas pesadas puxam para AC III (com características complementares, quando necessário).

Regra de ouro: na dúvida entre duas classes, suba de nível. O custo da argamassa é irrelevante perto do custo do retrabalho.

Cola penteada num sentido só e o verso da peça coberto — a peça gruda de verdade.
Cola penteada num sentido só e o verso da peça coberto — a peça gruda de verdade.

Qual argamassa colante usar para porcelanato?

Para porcelanato, a indicação é AC III. A absorção baixíssima (≤ 0,5%) exige adesão química e maior poder de aderência — por isso a AC I é inadequada e a AC II fica abaixo do recomendado. Em grandes formatos, fachadas e áreas externas com porcelanato, use uma AC III com tempo em aberto estendido; quando o substrato se movimenta (piso sobre piso, piscina, forte variação térmica), uma AC III deformável. Na linha Tilecol, a indicação de partida é a Cola 6 Plus (AC III) e, para os casos mais exigentes, a Super Cola 12.

Qual cola (AC I, AC II, AC III) para cada obra
Qual usar em cada caso.

Tabela de decisão — qual Cola indicar

Situação Classe Produto Tilecol
Interno, seco, cerâmica/azulejo (absorção mais alta), peça pequena/média AC I Cola 1
Interno e externo, cerâmica sob sol/chuva/vento AC II Cola 4
Porcelanato e piso sobre piso, interno/externo, tráfego intenso AC III Cola 6 Plus (tecnologia Alta Ancoragem)
Grandes formatos, pedra natural, piscina, sauna, fachada, forte variação térmica AC III (deformável, tempo em aberto estendido) Super Cola 12 — confira a classificação no boletim
Obra que exige aderência, textura e rendimento premium, linha profissional Alto desempenho Cola 7 Pro 3 (linha Pro — confira a classe no boletim)

Além da classe: o sufixo E e as características complementares

A NBR 14081, além das classes, prevê uma característica opcional identificada por sufixo:

  • E — tempo em aberto estendido. Dá mais tempo para ajustar a peça antes de a argamassa formar pele. Ideal para grandes áreas, calor, vento e fachadas.

Outras propriedades decisivas em obras exigentes aparecem no boletim técnico de cada produto:

  • Resistência ao escorregamento — evita que peças grandes ou pesadas escorreguem na vertical.
  • Deformabilidade — a argamassa acompanha movimentações do substrato (piso sobre piso, piscina, variação térmica).
  • Adequação a pedras naturais — produtos indicados para mármores e granitos claros, que a umidade de uma argamassa comum poderia manchar.

No sistema internacional EN 12004/ISO 13007, muito usado nos boletins, essas características aparecem como T (escorregamento reduzido), S1/S2 (deformável) e E (tempo em aberto estendido). Sempre confirme a classificação completa no boletim do produto.

É por isso que a Super Cola 12 — AC III de alto desempenho, deformável e com tempo em aberto estendido — resolve fachadas, grandes formatos e piscinas: absorve movimentação, dá tempo de ajuste e ajuda a peça a não escorregar.

Passo a passo do jeito certo

  1. Substrato limpo, curado, nivelado e firme — sem pó, óleo, desmoldante ou nata.
  2. Preparo: só água limpa na proporção indicada no saco, maturação de cerca de 10–15 min, remistura. Nunca readicione água depois de iniciada a pega — isso destrói a aderência.
  3. Espalhamento: primeiro o lado liso da desempenadeira, pressionando a massa contra a base (ponte de aderência); depois o lado dentado a cerca de 60°, formando cordões paralelos.
  4. Desempenadeira conforme a peça: dentes menores para peças pequenas/azulejo e maiores para porcelanato e grandes formatos. Não existe medida única — siga o boletim técnico do produto e a orientação do fabricante da placa.
  5. Dupla colagem (back-buttering): obrigatória em fachadas e áreas externas (NBR 13755) e fortemente recomendada para porcelanato, grandes formatos (a partir de ~900 cm², ~30x30 cm) e áreas molhadas. Aplique argamassa na base e no verso da peça, com os cordões cruzados (perpendiculares).
  6. Assente e colapse os cordões: pressione e bata com martelo de borracha. Confira o tardoz removendo peças aleatórias — cobertura de pelo menos ~80% em interno seco e próxima de 100% em fachada, área externa, área molhada e grandes formatos.
  7. Respeite o tempo em aberto. Teste do dedo: se a massa ainda "suja" o dedo, adere; se formou pele, raspe e reaplique. Sol e vento encurtam muito esse tempo — espalhe pouca área por vez.

Os erros que mais geram retrabalho

  • AC I em porcelanato ou em área externa — o erro nº 1: descolamento na certa.
  • Grande formato sem dupla colagem — bolsas de ar, som cavo e trinca.
  • Assentar fora do tempo em aberto — a peça parece firme, mas não colou.
  • Não conferir a cobertura do tardoz — vazios e infiltração.
  • Rejuntar ou liberar tráfego antes do tempo de cura — os prazos variam por produto e condição; confira sempre o boletim técnico (atenção especial a piscinas e áreas submersas).
  • Ignorar as juntas de movimentação — fissuras por dilatação térmica.

Especifique certo, aplique certo

A classe correta protege a obra, evita devolução no balcão e preserva a garantia. Os produtos Tilecol são desenvolvidos e ensaiados em laboratório próprio, com controle de qualidade conforme a NBR 14081.

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Fontes consultadas (22)

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